Fundamentos

Segurança do paciente: conceito, história e cultura

Segurança do paciente remete a iniciativas que promovem procedimentos livres de erros capazes de causar danos. Na saúde, está atrelada às boas práticas que conduzem os profissionais à excelência na assistência e reflete a prudência de quem compreende que, eticamente, não pode causar danos às vidas que lhe são confiadas.

Os pilares cirúrgicos

O conhecimento anatômico, a descoberta da anestesia e a descoberta dos microrganismos e sua atuação na infecção revolucionaram o ato cirúrgico (AMATO, 2005).

Você sabia?

Antes dessas descobertas, as cirurgias eram atos brutais realizados em pessoas sem perspectivas, em que o procedimento era a única esperança (AMATO, 2005).

Qualidade segundo Donabedian

Qualidade em saúde é a obtenção dos maiores benefícios com os menores riscos ao paciente e menor custo.

Linha do tempo

Marcos mundiais e brasileiros que estruturam a segurança do paciente.

  1. Séc. XIXMundo

    Florence Nightingale na Guerra da Crimeia

    Ao observar as condições da assistência prestada aos soldados, Florence Nightingale aprimorou os cuidados buscando manter a qualidade da assistência.

  2. 1910Mundo

    Ernest Codman e o aprendizado a partir do erro

    O cirurgião Ernest Codman identificou erros no atendimento a pacientes e transformou as falhas apuradas em mudanças para os atendimentos futuros.

  3. 1990Brasil

    Primeiras iniciativas de qualidade no Brasil

    Instituição do Controle de Qualidade Hospitalar (CQH), inspirado no Prêmio Malcolm Baldrige e nos referenciais da JCAHO, e do Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade (PBQP).

  4. 2000Mundo

    To err is human

    O relatório do Committee on Quality of Health Care in America, do Institute of Medicine, revelou cerca de 98.000 mortes por ano em hospitais por erros evitáveis.

  5. 2001Brasil

    Notificação de eventos adversos e Hospitais Sentinela

    O Institute of Medicine estabeleceu plano mandatório de notificação de eventos adversos. No Brasil, destaca-se o Projeto Hospitais Sentinela, ampliando a vigilância de produtos usados em serviços de saúde.

  6. 2002Mundo

    55ª Assembleia Mundial da Saúde

    Resolução pedindo aos Estados-Membros que fortalecessem os sistemas de segurança do paciente e a qualidade dos cuidados.

  7. 2004Mundo

    Aliança Mundial para a Segurança do Paciente

    Criada na 57ª Assembleia Mundial da Saúde, voltada à criação de políticas, unificação de conceitos e mobilização de esforços internacionais.

  8. 2005Mundo

    1º Desafio Global: uma assistência limpa é uma assistência mais segura

    Foco na higienização das mãos. No Brasil, a RDC nº 42, de 25 de outubro de 2010, tornou obrigatória a disponibilidade de preparação alcoólica para fricção antisséptica das mãos.

  9. 2006Brasil

    1º Fórum Internacional sobre Segurança do Paciente e Erro de Medicação

    Realizado em Belo Horizonte, foi primordial para a criação em 2009 do ISMP Brasil, presidido pelo farmacêutico Mário Borges Rosa.

  10. 2008Mundo

    2º Desafio Global: cirurgias seguras salvam vidas

    Culminou na criação da Lista de Verificação de Cirurgia Segura, preparada por especialistas para reduzir danos ao paciente.

  11. 2008-2009Brasil

    Pacientes para a Segurança do Paciente (PPSP)

    Programa que incluiu o paciente nas sugestões para a sua própria segurança, cumprindo pontos centrais da Aliança Mundial.

  12. 2009Brasil

    ICPS e o manual brasileiro de implementação

    Criação da Classificação Internacional de Segurança do Paciente. No Brasil, Ministério da Saúde, Anvisa, Colégio Brasileiro de Cirurgiões e OPAS/OMS publicaram o Manual de Implementação de Medidas do projeto Cirurgias Seguras Salvam Vidas.

  13. 2011Brasil

    PMAQ-AB

    Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica, com incentivo financeiro variável associado aos resultados de equipes e municípios.

  14. 2021-2030Mundo

    Plano de Ação Global da OMS

    Plano estratégico desenhado para eliminar danos evitáveis na assistência à saúde nos próximos anos.

Metas e alcance

Redução de infecção

A OMS estabeleceu meta de redução das taxas de infecção do sítio cirúrgico em 25% até 2020, o que significaria redução de mortalidade e morbidade.

Construção coletiva

Sob a denominação A Cirurgia Segura Salva Vidas, foram reunidas sociedades e ministérios da saúde de diversos países para desenvolver um conjunto de normas de segurança do paciente, que identifica as três fases da cirurgia.

Sobre as autoras do guia

  • Andrea Marques Vanderlei Fregadolli

    Autora do guia de bolso Bússola Cirúrgica, docente na área de saúde.

  • Ingrid Louise Vieira Vera Cruz

    Enfermeira graduada pela UFAL, professora substituta na UFAL – Campus Arapiraca, especialista em Saúde e Ambiente (UNEAL), em UTI (Faveni) e em Enfermagem Dermatológica e Estética (CEFAPP), mestranda MPES.

  • Lucy Vieira da Silva Lima

    Coautora do guia de bolso para o checklist de cirurgia segura.

Referências

  • AMATO, A. C. M. Parte 1 – Breve história da cirurgia. 2004.
  • AMATO, A. C. M. Fundamentos da cirurgia. São Paulo, 2005.
  • CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DE SÃO PAULO. Segurança do paciente. São Paulo, 2011.
  • NASCIMENTO, J. C.; DRAGANOV, P. B. História da qualidade em segurança do paciente. 2015.
  • WHO. World Health Organization. Patient safety tool kit. Genebra: WHO, 2015.
  • WHO. World Health Organization. Conceptual framework for the international classification for patient safety, version 1.1. Genebra: WHO, 2009.