O cirurgião sai da mesa
Quem opera fica no console, a alguns metros do paciente, sem contato tátil direto. A comunicação verbal com a equipe à beira do leito deixa de ser um detalhe e vira condição de segurança.
Checklist e robótica
A estrutura de três fases da OMS continua valendo na cirurgia robô-assistida, mas a sala ganha uma camada extra de verificações: plataforma, docking, cabeamento e uma equipe com uma função a mais — o cirurgião que opera longe da mesa, no console.
Conteúdo de apoio ao estudo, baseado no checklist de atribuições da equipe de enfermagem em cirurgias robóticas, elaborado e validado pelo Comitê de Robótica da SOBECC (Bergonzini, Almeida & Carvalho, Rev. SOBECC, 2024). Cada instituição deve adaptar os itens à sua plataforma e rotina.
Como a sala se organiza
Console
Cirurgião a distância, com visão 3D
Mesa
Robô com os braços posicionados sobre o paciente
Beira do leito
Auxiliar estéril troca instrumentos
Torre de visão
Circulante gerencia cabos e ópticas
Quatro diferenças que mais pesam na aplicação do checklist em procedimentos robô-assistidos.
Quem opera fica no console, a alguns metros do paciente, sem contato tátil direto. A comunicação verbal com a equipe à beira do leito deixa de ser um detalhe e vira condição de segurança.
Console, torre de visão, braços robóticos e cabeamento integrado precisam de checagem própria, além dos itens já cobertos pelo checklist clássico.
Trendelenburg acentuado, litotomia associada e proclive lateral são comuns e trazem riscos específicos de compressão, edema e queda de retorno venoso.
Conectar e desconectar o robô da mesa (docking/undocking) passa a ser um passo registrado, com responsável e contagem, incluído no Time Out e no Sign Out.
As funções clássicas continuam presentes; a robótica adiciona ou especializa alguns papéis dentro da sala.
Opera os braços robóticos a distância, com visão 3D ampliada. Depende inteiramente da comunicação verbal com quem está junto ao paciente.
Cirurgião ou assistente que permanece estéril junto à mesa, troca instrumentos nos braços, insere trocateres e intervém manualmente se necessário.
Monta os braços do robô, veste os campos estéreis (drapes), controla as pinças específicas da plataforma utilizada.
Gerencia cabeamento, torre de visão e calibração das ópticas, além de apoiar o momento do docking e do undocking.
Acompanha o funcionamento do sistema robótico e resolve falhas técnicas durante o procedimento, muitas vezes em conjunto com o fabricante.
Redobra a atenção a pneumoperitônio prolongado e posicionamentos extremos, que alteram a mecânica respiratória e a hemodinâmica do paciente.
Os itens clássicos da OMS continuam obrigatórios. Ao lado, o que a validação da SOBECC recomenda acrescentar em cada fase para procedimentos robóticos.
Riscos que vale reforçar em voz alta durante o Time Out, além dos itens do checklist.
A equipe precisa saber, antes da incisão, como fazer o undocking rápido em caso de sangramento maior ou necessidade de conversão para cirurgia aberta ou laparoscópica.
Como o cirurgião não está fisicamente à mesa, qualquer alteração de sinais vitais, sangramento ou falha do sistema precisa ser verbalizada de forma clara e imediata para o console.
Trendelenburg acentuado por tempo prolongado pode causar edema facial e de vias aéreas, além de reduzir o retorno venoso — vale monitorar e registrar o tempo total nessa posição.
Cirurgião, instrumentador e circulante que atuam com a plataforma precisam de treinamento específico reconhecido pelo fabricante antes de participar do procedimento.
Conteúdo de apoio ao estudo. Baseado em: Bergonzini F, Almeida E, Carvalho R. Checklist de atribuições da equipe de enfermagem em cirurgias robóticas. Rev. SOBECC. 2024;29:e2429933, validado pelo Comitê de Robótica da SOBECC, e no Protocolo de Cirurgia Segura do Ministério da Saúde/OMS. Não substitui o protocolo institucional de cada serviço nem o manual do fabricante da plataforma robótica em uso.